quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hasta Siempre Mercedes Sosa


A primeira vez que ouvi falar em Mercedes Sosa foi em 1976 na Argentina, especificamente em Rosário, na casa de um amigo. A turma de amigos cantava as suas músicas enquanto tomávamos um bom vinho. Lembro-me muito bem de uma canção que ficou marcada em minha memória. “Canción con todos” Canção com todos. Falava da integração de toda América Latina. E foi aí que eu me apaixonei. Comecei a gostar de tudo que Mercedes Sosa representava. Através dela conheci o trabalho de Violeta Parra, Victor Jara, Daniel Viglietti, Quilapaium. Aprofundei-me no conhecimento da literatura argentina e chilena. Julio Cortazar e Pablo Neruda passaram a habitar o meu cotidiano. Mario Vargas Llosa, Gabriel Garcia Marques, Mario Beneditti, vieram depois me dando a certeza que eu era apenas um rapaz latino americano, como diria Belchior. Em 1980 tínhamos uma revista de cultura chamada Opção. E pela primeira vez Mercedes Sosa veio a Belo Horizonte para um show no Palácio das Artes. No dia seguinte ela me recebeu no Hotel e falamos de tudo um pouco. Esta entrevista não foi publicada porque a revista fechou no terceiro número e a matéria com a Mercedes estava prevista para o quarto numero. Nunca mais a publiquei. Quem sabe agora?
Em 2008 fui vê-la no Chevrolet Hall em Belo Horizonte. “Corazón libre” Emocionei-me muito com a sua garra. Foi tudo Lindo. Neste momento, só relembrando a famosa canção de Violeta Parra que ela imortalizou.

“Gracias a la vida”
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me dois olhos que, quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco
e no alto céu, o seu fundo estrelado
e nas multidões, o homem que eu amo.

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,
grava, noite e dia, grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o som e o abecedário
e, com ele, as palavras com que penso e falo
mãe, amigo, irmão e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei por cidades e charcos,
praias e desertos, montanhas e planícies
pela tua casa, tua rua e teu pátio.

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o coração que todo se agita
quando vejo o fruto do cérebro humano,
quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o riso e deu-me o pranto
assim eu distingo a felicidade da tristeza,
os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto.
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
lObrigado à Vida

La cigarra nunca morira. Vive y esta candente en nuestros corazones.

2 comentários:

Silvana Isabel disse...

Sabe, fico encantada de ver como ela influencia as pessoas, como foi o seu caso. Ela, por meio de sua voz, ajudou, está ajudando e ainda vai ajudar a transformar a vida de muita gente!

Grande abraço, irmão latinoamericano!

Silvana
esquinadasil.blogspot.com

correia disse...

CARO AMIGO CHEGUEI AO TEU BLOGUE ATRÁS DA MERCEDES DE SOSA,VI-A HÁ MUITOS ANOS ATRÁS NA FESTA DO AVANTE EM LISBOA.NÃO HÁ PALAVRAS!ADORO CINEMA,MÚSICA,TEATRO,ARTESANATO...PENSO QUE NÃO ESTÃO EM PORTUGAL OS FILMES A QUE TE REFERES,PROVÁVELMENTE PORQUE A NOVA CENSURA DO CAPITAL MODERNO OS NÃO QUER POR AQUI.NOVOS DIAS HÃO-DE VIR.FOI UM PRAZER ENCONTRAR-TE.CORREIA DUQUE.