quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Homem que contempla

Recebi de uma amiga (quão grande é poder dizer que tenho uma amiga) este poema. Poema que chegou na hora certa, me fez chorar mas, também me colocou pra cima. Leiam, reflitam...

O Homem que contempla

Vejo que as tempestades vêm aí
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.

E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.

Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.


Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.
Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta.
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.

Rainer Maria Rilke, In "O Livro das Imagens "

Tradução de Maria João Costa Pereira



Rainer Maria Rilke nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.

Em Paris, em 1902, Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard.

Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.

Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica. Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).

Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.

Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta", tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.

domingo, 27 de março de 2011

Composição II


Vendo esta foto que foi muito veiculada por ocasião da tragédia no Japão os meus sentimentos turbilharam. A maioria dos comentários que ouvi foi: “Parece brinquedo...”.

Em alguns evangelhos apócrifos que tratam da infância de Jesus, há relatos de Jesus como um menino comum, com poderes de DEUS e as travessuras de criança.

Em um trecho do seu livro: “Historia de Maria, Mãe e Apóstola de seu Filho, nos evangelhos Apócrifos” (Editora Vozes,2006) O professor Jacir de Freitas Faria, relata: Maria chama a atenção de Jesus por ter matado um menino. Veja o texto.

O Pseudo-Evangelho de Mateus 26,1-3 conta que, quando Jesus tinha quatro anos de idade, ele estava brincando com outras crianças, em um dia de sábado. Jesus foi sentar-se e fez sete lagoinhas de barro interligadas por pequenos canais, por meio dos quais, à sua ordem, a água corria da torrente para as lagoinhas e voltava novamente. Outro menino, filho do diabo, repleto de inveja fechou a comporta que controlava a entrada da água e acabou com aquilo que Jesus fizera. Jesus lhe disse: Ai de ti, filho da morte, filho de Satanás! Tu destruíste a obra que fiz? ' E imediatamente o (menino) que havia feito aquilo caiu morto.

Os pais dele se revoltaram contra Maria e José, dizendo: 'Vosso filho amaldiçoou o nosso filho e ele morreu'. Quando José e Maria ouviram aquilo, foram logo ter com Jesus, por causa da revolta dos pais do menino e do ajuntamento de judeus.

José disse baixinho à Maria: “Eu não tenho coragem de falar com ele. Tu repreende-o e dize-lhe: Por que suscitaste contra nós o ódio do povo? E agora devo suportar a exasperação do povo? E aproximando-se dele sua mãe, Maria, rogava-lhe dizendo: Qual foi o crime dele para que morresse? E Jesus respondeu: merecia a morte, já que destruiu aquilo que eu tinha feito.

Sua mãe, então, lhe pediu: 'Não faças isso, meu senhor, pois todos se revoltam contra nós'. Não querendo contristar a sua mãe, com o pé direito Jesus tocou as nádegas do morto e lhe disse: 'Levanta-te, filho iníquo. Não és digno de entrar na paz de meu pai, porque destruíste obra que eu tinha feito'. Então o que tinha sido morto se levantou e foi- se embora. Jesus, entretanto, volta ao seu Jogo levando água pelo canalzinho até as lagoinhas.”



Foi pensando nestas passagens dos evangelhos apócrifos que eu encontrei justificativa para a tragédia do Japão. O menino DEUS brincando. Como brincamos com os nossos carrinhos e aviões e quando cansamos da brincadeira deixamos tudo espalhado, misturado, fora de ordem.

Foi com este sentimento de brincadeira do Menino DEUS, que eu chorei pensando no futuro da humanidade... mas como consolo, lá longe ouvi a voz de José e Maria dizendo: “Menino, limpa tudo e coloca os seus brinquedos no lugar...”.

Espero que ele obedeça.

sexta-feira, 25 de março de 2011

COMPOSIÇÃO

No século passado, quando eu estava no primário (Grupo Escolar) a professora mostrava um cartaz e pedia para a gente fazer uma composição. O cartaz normalmente mostrava uma cena que poderia ser uma paisagem ou uma cena do cotidiano, um desenho de um animal ou de um ser humano. Tínhamos que descrever, contar a história que o cartaz estava mostrando. O autor Rubem Alves aprendeu bem a lição: Tenho duas provas disso: A primeira no livro “O Médico” onde a partir do quadro “O médico” de Sir Samuel Luke Fides, ele faz uma análise filosófica e teológica da arte da medicina.


A segunda é pura imaginação minha. No livro “Ostra feliz não faz pérola” Tem uma crônica intitulada “O que a minha cadela pensa de mim”. Acredito que está seria a composição de um menino artista, ao deparar com um cartaz com a fotografia de uma cadela.



O que a minha cadela pensa de mim

Meu nome é Lola. Ê assim 'que me chamam. Quando gritam o meu nome, sei que me querem perto deles. Psicologicamente posso ser definida como um animal incapaz de mentir ou fingir. Minha alma mora na minha pele. Quando estou alegre, meu rabo abana por conta própria, independente da minha vontade. Quando a alegria é demais, dou umas mijadinhas. Quando estou triste, meu rabo e minha cabeça abaixam. Quando estou com sono, me esparramo no chão, do rabo ao focinho. Tudo se dependura: pele, orelhas, testa, olhos. Meu dono gosta de mim embora fique bravo quando eu pulo para abraça-lo e lhe dou uma lambida. O que é verdade para mim não é verdade para o meu dono. A alma dele não mora na pele. Ele mente. Ele finge. Nunca o vi dar uma mijadinha de felicidade. Talvez ele não seja suficientemente feliz para isso. Às vezes, eu estou deitada do jeito como descrevi e ele está assentado numa cadeira. Ele olha para mim de um jeito diferente. Não é alegria. Não é tranquilidade. Acho que é inveja. Ele gostaria de ser como eu sou, mas tem coragem... Está morrendo de vontade de se esparramar também no chão frio, como eu. Mas não o faz. Fico a pensar: o que o impede?Acho que é vergonha. Os homens têm vergonha uns dos outros. Sou feliz porque não tenho vergonha e faço o que quero. Talvez essa seja a razão por que os homens gostam de ter pets: porque nos pets eles projetam uma felicidade que eles mesmos não têm. Diga-me o pet que você tem e eu saberei como é a sua alma. Os pets têm uma função terapêutica. Bem, eu sou uma cadela, e tudo o que disse foi de brincadeirinha. Porque eu mesma, na realidade, me contento em ser feliz. Não gasto tempo pensando essas coisas...

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Mais Novo Imortal

(foto publicado no EM)
Hoje ao abrir o caderno de cultura do Jornal Estado de Minas, a melhor parte do jornal, me deparei com uma matéria do Carlos Herculano sobre o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras. Marco Américo Lucchesi.


Que alegria! Convivi com ele um rápido naco de tempo nos anos de 1987 quando ele este em BH para uma palestra. Na época eu estudava Grego na UFMG. Ele estava com 24 anos e para mim era um dos mais jovens intelectuais. Ele já sabia tudo. Tinha acabado de publicar: Patmos e outros poemas de Hölderlin. Já falava vários idiomas. Inclusive o italiano que é a minha segunda língua.

Nesta época belo horizonte respirava poesia, principalmente pela tristeza da morte de Carlos Drummond de Andrade, ele era muito amigo da família do Drummond principalmente da sua filha Maria Julieta.

Foi neste clima que apresentei para ele alguns Escritores mineiros, O que me valeu uma dedicatória em italiano no seu livro: All’amico Marcos Ramos, amico nuovo, Che m’insegna gli orizzonte letterari de belo Horizonte.

Com amicia

Do Marco Lucchesi



Na contra capa do seu livro, Carlo Drummond escreveu: “(...) Marco Lucchesi, que, sendo exegeta de Dante, merece o nosso respeito e admiração”.

Maria Julieta Drummond de Andrade escreveu: “Parabéns por haver explorado com tamanha coragem e paixão os belos enigmas de Dante. Não é fácil descer aos infernos, e você o fez com amor e audácia. Depois disso, é claro, você se purificou- e nos purificou”.



Com certeza o Marco Lucchesi não se lembrará disso. A ordem das lembranças é proporcional à importância.

E foi por isso, pela importância que tudo isso teve na minha vida, que hoje o meu dia será mais feliz. Parabéns Amigo! Agora você é imortal como todos os heróis mitológicos que tanto gostamos.

AUGURI!


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os Dez Livros que li no ano passado e que você deverá ler se é que não leu.

1- “Aquele Olhar Fora do Corpo”, de Malluh Praxedes. O livro é uma coletânea de crônicas que foram publicadas no site Vitrine Literária e no jornal Diário de Pará de Minas durante os últimos anos. Nele Malluh relembra histórias, fatos e pessoas que povoaram a sua vida. Um livro cheio de sentimentos, gostos e experiências. Malluh consegue encher de poesia o cotidiano. A sua narrativa poética, de uma vida bem vivida, encanta o leitor.


2- “Coração de Mãe”, de Déa Januzzi. Outro livro de Crônicas que nos emociona. Reunidas da coluna do mesmo nome que Déa publica todos os domingos no Jornal Estado de Minas, Coração de Mãe é uma reflexão não só sobre a relação mãe e filho, mas uma reflexão sobre a vida.





3- “A Cabana”, livro de William P. Young editado no Brasil pela Editora Sextante. Tem hora que a gente para e quer saber o sentido da vida. A gente quer respostas para as nossas dúvidas, para os mistérios da vida. Este livro é isso: uma mistura de Teologia, filosofia e literatura. Uma agradável mistura.

4- “Morto até o anoitecer”, de Charlaine Harris, editado pela Editora Ediouro. Uma nova visão dos Vampiros que povoaram a nossa infância e juventude. Livro que deu origem à série True Blood. Um romance gostoso de ler.









5- “Querido John”, de Nicholas Sparks, editado pela Editora Novo conceito é um daqueles Best-Seller que agrada a todo mundo. Um romance que prova que uma paixão pode transformar uma vida. O Amor faz a gente ter um novo olhar sobre a nossa vida.

6- “1808”, de Laurentino Gomes, editado pela Editora Planeta do Brasil, é uma nova e gostosa forma de aprender a história do Brasil. O autor nos faz esquecer o que apreendemos nos compêndios escolares para participarmos da nossa própria história.

7- “CONVÉM SONHAR”, de Miriam Leitão, publicado pela Editora Record. Mais um livro de crônicas. Crônicas que foram publicadas entre 1991 e 2010 no jornal o Globo. Fatos que marcaram a história social,política e econômica do nosso país e que faz a gente ter certeza que convém sonhar.






8- “A duração do dia”, Adélia Prado, publicado pela Editora Record. Teologia em poesia, a experiência de DEUS em cada momento do dia. Ave Adélia!




9- “Leite Derramado”, Chico Buarque, publicado pela Editora Companhia das Letras. Para quem convive com a obra de Chico Buarque desde 1965, através de toda manifestação artística. Música, teatro, e Livro este é mais um para a gente se deleitar. Simplesmente ler e se deixar chorar sobre o leite derramado.

10- “Deus é Meu Camarada” de Cyril Massarotto, editado pela Editora Suma. Também mostra esta procura e encontro com DEUS. O sentido da vida. Mostra para a gente um DEUS humano feito à nossa semelhança.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resultado da promoção

True Random Number Generator Min: Max: Result: 33 Powered by RANDOM.ORG

Tivemos 58 participações e a vencedora é:
33- Radige Hanna Nascimento
Entraremos em contato pelo E-mail fornecido.
Em breve novas promoções.

Participantes da promoão

Participantes da promoção
1- Rosa maria


2 - Ci Lima

3 - Waldenia

4 - Tica

5 - Ms.Grazi

6 - Libia_carvalho@hotmail.com

7 - Nessa Iwata

8 - Vanessa Harue Iwata

9 - Vanessa Braunn

10 - Lenni Santana

11 - Josilene Lima

12 - rosamtatiana

13 - Aline Soares

14 - Thais Ferreira Pilotto

15 - JESSICA ALMEIDA

16 - Tassiane Sauerbier

17 - Jennifer Alles Sinhorelli

18 - lisane lucia kunzler

19 - Tatiana Ricciardi

20 - carolina pontes

21 - Nathália Brasil

22 - Thaysa Campos de Souza

23 - Helloíne Francielle

24 - Leticia Laís Carminatti

25 - Rosangila Romanin Takemoto

26 - ROSANA PASCHOALIM

27 - Leonice Campelo

28 - Sandra Alves.

29 - deisemat

30 - Carine Bastos

31 - Cassia Minko

32 -Tanandra

33 - Radige Hanna Nascimento.

34 - adriana santos

35 - HANNALU MENDES DE ANDRADE

36 - Edvania Soares

37 - REGINA CELLI SARAIVA DE CARVALHO

38 - Adriana Roos

39 - Ariane Baldassin

40 - Janine Simmer

41 - Thayrone Irineu

42 - mirian,

43 - Ander Ramos

44 - Clarine

45 - Daniela Martins

46 - Vanessa Monique

47 - Samantha

48 - l_em_dobro

49 - Heleny Ricci

50 - Maíra Souza

51 - Olinda Nere Dos Santos

52 - Jardim Valentina

53 - adriana ramires machado

54 - Maria Isabel

55 -Andreia Maia

56 - Suzana Moreira

57 - Leide

58 - Tânia Regina Schubert