terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

DESENREDO

Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo

A morte tece seu o fio de vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto

O olhar que solta anda preso

Mas quando eu chego eu me enredo

Nas tramas do teu desejo

O mundo todo marcado a ferro, fogo e desprezo

A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu desejo
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou

Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando,
o homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando,
a vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou

Vou-me embora pra bem longe...

RENATO BRAZ

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Para Paolo Padovani

Nada será como antes
(Milton Nascimento - Ronaldo Bastos)

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Existindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã

domingo, 20 de janeiro de 2008

Para a filha que tenho.

Mas uma vez Chico Buarque me fez chorar... ouvi hoje pela primeira vez esta música...

a música vai dedicada para a Inês Helena e o Marcelo (Faz parte da campanha: "Quero meu Neto ja!")
O Filho Que Eu Quero Ter

Música: Toquinho Letra: Vinicius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
Vejo um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a me correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Meu Nome Não É Johnny


Que filme bom, valeu!
Para Nicoletta Padovani
“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos (...)” Marguerite Yourcenar
A convenção tem a vantagem de provar que as decisões do espírito e da vontade transcendem as circunstâncias. O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos: minhas primeiras pátrias foram os livros. Em menor escala, as escolas. As da Espanha ressentiam-se dos ócios da província. A escola de Terêncio Escauro, em Roma, ensinava mediocremente os filósofos e os poetas, mas nos preparava bastante bem para as vicissitudes da existência humana: os mestres exerciam sobre os discípulos uma tirania que eu me envergonharia de impor aos homens. Cada qual, confinado dentro dos estreitos limites do seu saber, desprezava os colegas, que, por sua vez, conheciam as outras matérias de maneira igualmente limitada. Esses pendantes discutiam até ficarem roucos. As querelas de precedência, as intrigas, nas calúnias familiarizaram-se com o ambiente que encontraria em todas as sociedades em que vivi. Não obstante estimei alguns dos meus mestres. Gostava das relações estranhamente íntimas e singularmente indefinidas que existem entre professores e alunos, como um canto de Sereia no fundo de uma voz trêmula que, pela primeira vez, nos revela uma obra-prima, ou nos dá a conhecer uma idéia nova. O maior sedutor, não é, afinal, Alcibíades e, sim, Sócrates.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Verão

Quando os longos dias de luz
Cria no mar, rendas mais brancas,
Cores mais vivas,
Meio dia sem fim...
É verão
Quando os corpos ganham beleza
E a morenice se espalha pelas praias
É verão
É verão no pais do sol,
E é preciso contar historias que lembrem que o verão não é castigo dos céus
Mas dádiva da natureza: Fertilidade, Alegria, Prazer...
O Brasil é verão.
Vocês verão historias gostosas como frutas que só o verão sabe amadurecer
Verão historias de um doce riacho embalando sonhos nas redes
Pescando coragem, fisgando paixões.
O verão de riacho doce...
Quem viver verão...

sábado, 22 de dezembro de 2007

Um banho de Malluh Praxedes

Esta noite tive insônia, acordei as quatro e trinta da matina e não consegui mais juntar as pestanas, mesmo com elas cansadas. A solução foi ir para frente do computador. Sem E-mail na caixa de correio, nada de novo que não tinha visto antes de deitar me lembrei de uma amiga de muito tempo, que não vejo ha séculos: Malluh Praxedes. Resolvi então escrever o nome dela na caixa de pesquisa da Google e ver o que dava... 12 páginas falavam da Malluh, trazendo referências que encaminhavam para cada significado desta minha amiga, Poeta, Contista, Letrista, Cronista, Produtora, Artista plástica... ARTISTA... Meu DEUS! A insônia me fez lembrar os tempos que eu sonhava. E me banhei nos seus textos e nas lembranças de tantas pessoas que ela me apresentou: Osvaldo França Junior, Roberto Drumont, Gonzaguinha, Marco Antonio Araujo, Tutti Maravilha, Milton Nascimento, Fernando Brant, David Tygel, Oswaldo Loureiro e tantos mais que a memória se nega em lembrar... “Alem da família,” “Dona Noêmia”, “seu Silvio”, Silvinho que saudade! Bom que ele deixou o Pablo de herança. Bom que consegui reencontrar a Malluh. Bom que já estou fazendo planos... Bom que daqui a pouco começa o ano novo e a gente tenta refazer o que deixou de ser feito...

domingo, 2 de dezembro de 2007

A Cor Púrpura

Com agradável surpresa Inês me presenteou com o DVD "A Cor Púrpura" Filme que eu dedico às minhas irmãs.

"A Cor Púrpura" é um filme de extrema sensibilidade e de muita sinceridade. Steven Spielberg conta a história de maneira agradável e, por vezes, chocante! Impressiona a maneira com que nos envolvemos nesta bonita história de amor, afeto, carinho e compaixão. Pessoas fazendo coisas por outras, sem querer receber algo em troca, apenas a felicidade. Celie (Goldberg) é uma jovem que já começa a vida de maneira muito difícil. Foi violentada pelo pai, engravidou, mas não pôde assumir a criança, que foi mandada para onde ninguém sabe. Ela é "arranjada" para Albert (Danny Glover), uma cara que não demonstra nenhum carinho ou amor por ela. Durante um tempo, Celie ainda pode viver com a irmã Nettie (Akosua Busia), mas ela acabou sendo mandada embora da casa, por ter fugido de Albert. A partir daí, Celie vive uma vida totalmente amargurada, sem companhia, sem carinho e só apanhando do marido."